A poucos dias da decisão sobre as licenças da TDT (Televisão Digital Terrestre), a AirPlus TV Portugal apresentou a sua estratégia, baseada nos vectores preço, simplicidade e abrangência geográfica.
“Queremos chegar às pessoas que, até hoje, não conseguiram ter acesso à televisão paga, quer por não terem possibilidades financeiras, técnicas e geográficas ou mesmo por o conteúdo não ser da sua preferência”. A frase pertence a Miguel Pais do Amaral e ilustra o tom da conferência de imprensa em que a AirPlus TV apresentou o chairman para o mercado português, o ex-CTT e ex-Anacom Luís Nazaré, e o próprio Pais do Amaral como accionista do projecto com 20% da AirPlus TV Portugal, o equivalente a 14 milhões de euros, ainda que o investimento apenas vá para a frente se a empresa sueca ganhar a licença para os canais pagos.
“Queremos investir em conteúdos nacionais, não enlatados, e produzidos pelos broadcasters, para que a TVI, RTP e SIC possam ter um grupo de cinco a seis canais”, concluiu o CEO da Quifel Holdings e presidente e CEO da Media Capital entre 1994 e 2005.
A necessidade de parceria com os produtores de conteúdos foi, de resto, um dos pontos principais da apresentação da estratégia da AirPlus TV Portugal aos jornalistas. A empresa assegurou que vai investir em marketing e promoção dos operadores e partilhar receitas relativas a subscritores, apoiando a aquisição de conteúdos-chave e garantindo 5,2 milhões de euros para a criação de canais portugueses, prémios substanciais para os operadores por subscritor, serviços de Pay-TV e um investimento de 22,5 milhões de euros para a subsidiação da aquisição de set-top-boxes, à razão de 45 euros por cada.
Por outro lado, e em relação às receitas de publicidade, o chairman da AirPlus TV Portugal garantiu que estas serão “quase exclusivamente para os produtores de conteúdos”.
Com o slogan “Pay only for what you watch (Pague apenas aquilo a que assiste)”, a AirPlus TV vai investir 70 milhões de euros no projecto, que inclui uma parte para apoiar financeiramente os canais portugueses com quem a empresa está a negociar (TVI, RTP e SIC). “Quanto mais produtos nacionais, melhor. Queremos estimular e apoiar financeiramente os broadcasters nacionais para produzirem novos produtos e canais”, explicou.
Com a entrada de Miguel Pais do Amaral, a estrutura accionista da empresa ficou dividida entre os 20% do empresário e os 80% da AirPlus TV, que se dividem em 30% da Investor Growth Capital, 30% da 2TD Holding, 20% da Provider Venture Partners e 20% da Constellation Ventures.
Outro dos objectivos da empresa passa pelo vector preço e simplicidade. “Queremos uma plataforma TDT amiga dos consumidores, simples e que lute pela inclusão geográfica e económica de todos”, explicou Luís Nazaré. Paralelamente, a AirPlus TV vai colocar um canal de “interesse público à disposição do Estado para promover a sociedade de informação e os novos media”, referiu Nazaré.
Outra das ofertas será a de um pacote de mini Pay-TV, para uma audiência alargada e que deverá rondar os 11 euros por mês. “As quatro categorias que queremos abarcar neste projecto são a informação, o entretenimento, o desporto e o cinema de alta qualidade”, explicou o chairman da empresa. Para mais tarde, e caso a AirPlus TV vença o concurso, Luís Nazaré prometeu “várias surpresas para serviços exclusivos de TDT”, realçando também que o pré-acordo com a PT tem uma “base razoável”, pelo que brevemente haverá “novos rounds técnicos” e novidades acerca da parceria.
Recorde-se que a AirPlus TV e PT apresentaram a 30 de Abril as duas únicas candidaturas à TDT, tendo-se a empresa portuguesa proposto aos dois concursos (canais pagos e abertos) e a empresa sueca proposto apenas ao concurso relativo aos canais pagos. A decisão será anunciada pela Anacom durante a primeira quinzena de Julho.
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